











MATÉRIA
COM COLORTRONIC
NA ESSENTIAL MAG
Saiu uma matéria falando do Colortronic
na última edição*
da Essential Mag, revista brasileira voltada para a
música eletrônica.
*edição
de fev./mar 2008

ELETRÔNICA SEM MODISMOS
João Bernardo Caldeira
- publicado originalmente no Jornal do Brasil -
06/08/05
A
década de 90 foi da música eletrônica, que
invadiu outros estilos e emplacou no mainstream
fonográfico. Hoje, artistas como David Bowie e o
grupo U2 já voltaram a fazer rock básico,
enquanto bandas que foram pioneiras no uso dos
efeitos de computador - Orbital e Underworld, por
exemplo - não estão mais em evidência. Passado
o modismo, como ficou, no Brasil, o mercado para
os artistas do gênero? No Rio, as rádios não
tocam música eletrônica, raves estão escassas
e há poucos espaços e boates.
Mas nada está perdido. Algumas casas noturnas
ainda resistem, como a Fosfobox, o lugar do
momento, e as badaladas Dama de Ferro e Bunker.
Recentemente foi inaugurada a Sygno, em
Copacabana, mais um alento para os aficionados em
eletrônica. No último mês de agosto [2004], o
festival Plug chegou a sua segunda edição. É
outro sopro de esperança.
O evento reuniu bandas, DJs e produtores
cariocas, nomes ainda desconhecidos, que
construirão o futuro da música eletrônica
carioca - a programação completa pode ser vista
no endereço virtual http://projetoplug.blogspot.com.
Foi no Plug, ano passado, que o antropólogo
Hermano Vianna descobriu o grupo Gerador Zero,
levado por ele para tocar no último Tim
Festival.
Para o produtor musical Cid Andrade, organizador
do Plug ao lado de Fernanda Parente, o quadro é
positivo, apesar de a eletrônica ter deixado de
ser novidade.
- Depois do boom do estilo, as coisas vão agora
crescer de uma maneira mais sólida e menos
artificial. Não é uma indústria tão popular
quanto a do axé music, mas tem crescido e
chamado a atenção das cabeças pensantes - diz
ele.
A quantidade de material recebida pelo festival
prova que surgem, a cada ano, novos talentos
dispostos a lutar por um lugar ao sol, como
afirma Cid Andrade:
- O Plug não é o último sopro, como se a
música eletrônica moribunda estivesse tentando
ressuscitar. O festival vem suprir uma enorme
demanda, e a produção que eu recebi superou as
expectativas.
Cabbet Araújo, hoje dono da Fosfobox, há dois
anos produziu raves que conseguiam atrair 10 mil
pessoas. Ele é um dos curadores do Plug e afirma
que, apesar do fim do modismo, ainda há mercado:
- Calculo que 80% das pessoas que iam às raves
não estavam ali para ver as atrações musicais,
mas apenas por causa da moda. Hoje, o público
está mais segmentado, cada lugar toca um tipo de
música. Ouvi coisas muito boas que tocarão no
Plug, como o Voz del Fuego, e acredito que esses
novos nomes vão conseguir se encaixar nestes
pequenos nichos que surgiram.
No momento do ápice, havia não apenas megaraves
como expoentes do rock (até do rock brasileiro)
flertando com os efeitos de computador, como o
Barão Vermelho. Com o fim da euforia, por que
não foi criado, no Brasil, um mercado consumidor
permanente capaz de consumir discos do gênero e
lotar eventos? Para o DJ JayB, de 29 anos, falta
circular informação:
- O mercado ainda é restrito. Faltam veículos
que possam dar informações para as pessoas.
Quem gosta de música eletrônica não sabe onde
procurar.
O DJ Lúcio K, 32 anos, curador do Plug, aponta
dois fatores que atrapalharam a expansão da
eletrônica:
- A postura de algumas pessoas acaba sendo
elitista, o que causa má impressão em um
público que ainda está distante da cena. Além
disso, tem gente que fez eventos ou freqüenta
festas com a prioridade de usar ou vender drogas.
Isso também queima o filme da nossa música.
Dos novos talentos que se apresentaram no
festival - cerca de dez grupos -, raros são os
que conseguem se sustentar com a profissão.
Entre os integrantes de projetos como Estereo
Mono, Ouvintes, Voz Del Fuego, DaddyBits,
Colortronic e Playlounge, há médicos, analistas
de sistemas e designers. Todos sonham em viver de
música, mas não dobram seu som somente para
conquistar fãs.
- Em música, a maior dificuldade é conseguir
espaço e, para aparecer, há quem acabe tentando
só agradar às pessoas. Mas todas as modas são
passageiras. Fazer algo de que você gosta é
mais importante do que qualquer outra coisa -
sintetiza Mônica Ávila, de 37 anos, do grupo
Estereo Mono.
UMA
GERAÇÃO ELETRÔNICA
Cid
Andrade (organizador do PLUG Festival)
A
música eletrônica antes tarde do que
mais tarde se popularizou no Brasil.
Somos um país internacionalmente conhecido
por nossa boa música, e com a eletrônica
não poderia ser diferente: exportamos bons
Djs e alguns bons produtores. Mas pouca
gente sabe que, dando continuidade ao
trabalho destes pioneiros que não
são muitos, e que são os mesmos até hoje -
existe uma nova geração de produtores,
bandas e Djs que tem mostrado novos e
criativos caminhos para o cenário
eletrônico local. Nomes como Colortronic,
Two Divided by Zero, Lucio K, Jay B, Dj
Oppus, DJ Saduh, Playlounge entre vários
outros - representam a renovação. Em uma
cidade como o Rio de Janeiro que passa
por um período de pesada crise no cenário
cultural chegou a hora de darmos um
pouco de descanso para as figurinhas
carimbadas, e percebemos que não há falta
de variedade, basta que haja espaço para o
novo.
Milena
Garcia entrevista Denis Kandle:
Milena
- O que é o Colortronic?
Kandle
- Eu vejo o Colortronic como uma
nova forma de apreciação artística - é
união entre música e cores. A música é
muito mais do que apenas uma seqüência de
sons. Ela atinge a todos os sentidos humanos.
O clima, a paisagem e as emoções de uma
música vão resultar numa coloração
própria. Som é vibração, e toda
vibração tem uma cor. Cada música tem sua
própria "aura", vibrações que
irão emanar e produzir feixes de cores
determinadas. A combinação de cores e sons
pode ser extremamente estimulante para a
mente.
Milena
- Como o Colortronic funciona visualmente?
Kandle
- Estou preparando apresentações
em conjunto com um VJ, utilizando imagens em
telões com as cores correspondentes àquelas
músicas, banhando o ambiente com as cores
das músicas; é cromoterapia levada às
pistas de dança, literalmente! Para a
platéia, poder ver e sentir as cores que
correspondem à música é uma experiência
fascinante.
Milena
- No que ele difere dos outros estilos de
música eletrônica?
Kandle
- O Colortronic é como um cinema
3D, que se difere do cinema tradicional
porque tem um aditivo, os óculos que
permitem que você assista o filme com as
imagens em 3D; o Colortronic dá as cores
daquela música, é um elemento a mais que
está sendo oferecido. O primeiro álbum do
Colortronic, Sonic Rainbow, é um álbum
conceitual, e deve ser ouvido com as cores de
cada música em mente, ou de preferência com
o ambiente colorido de acordo com a música!,
para o "efeito" bater melhor. As
músicas do álbum seguem a ordem das cores
do arco-íris, começando com músicas
violetas, passando para azuladas,
esverdeadas, até as últimas que são
alaranjadas e avermelhadas. É como uma
viagem pelo mundo das cores sonoras.
(Curiosidade: algumas músicas nasceram de
sonhos - Deep Blue Sky, Alimente a Mente e
3rd Eye Open).
Milena
- O que o estilo pode proporcionar?
Kandle
- A união de cor e música pode
proporcionar um turbilhão de novas
sensações, nos permitindo mergulhar numa
dimensão muito prazerosa que pode nos levar
a estados de transe e êxtase. A cromoterapia
aliada à música é uma rica terapia, pela
capacidade de evocar emoções fortes. Tanto
a cromoterapia como a música, sozinhas, já
são ferramentas poderosas; imagine-as agora
sendo usadas juntas. É como uma meditação
que nos permite visualizar a alma da música,
sua essência em forma de cores. As cores
funcionam como um aditivo, tipo a letra, que
passa mensagens numa música. Suas cores
também dizem alguma coisa. As cores também
são a "letra" da música!
Milena
- Como começaram seus estudos relacionados
à cor e música?
Kandle
- Desde criança eu já associava
cores à determinadas músicas, era uma coisa
gritante, mas eu nunca tinha pensado muito
sobre o assunto, até ler livros e páginas
na internet falando sobre sinestesia,
cromoterapia, estudos filosóficos,
esotéricos, e foi a partir daí que comecei
realmente a me interessar pelo assunto. Não
sei explicar de onde vêm estas cores, eu
apenas as sinto! O que aconteceu é que
passei a perceber que eram sempre as mesmas.
"Por que tal música sempre me faz
sentir a cor rosa? Por que sempre me sinto
invadido pelo verde quando ouço aquela
música?" Comparando com a cromoterapia,
reparei que as características de cada cor
batiam com o que a música passava. Tem gente
que diz que eu sou um tipo de médium que
consegue enxergar a aura da música; outras
pessoas chamam isso de sinestesia... O que
sei é que sou um grande apaixonado por
música, e talvez seja essa minha paixão que
me leve a sentir suas cores, seus aromas...
Porque música não tem só cor: também tem
cheiro, temperatura, densidade, tem até
gosto. Não ouvimos música só com os
ouvidos. A música pode nos levar a outros
estados de consciência, e a união de cores
com música vem para realçar mais este
transe.
Milena
- Como está sendo a resposta do público?
Kandle
- Várias pessoas já me disseram
que se identificaram totalmente com as cores
das músicas, e que concordam com tudo à
respeito do assunto. Mas tem sempre uma
galerinha mais materialista que não acredita
em cores.
Milena
- Trata se de um novo estilo de
trance?
Kandle
- Tento dar uma roupagem própria as
minhas músicas e não acho que eu me encaixe
em nenhuma cena específica, porque meu som
abrange vários estilos, que vão do
psy-trance ao techno, passando por downtempo.
Milena
- Qualquer música é capaz de despertar os
sentidos?
Kandle
- Sim, todo som tem uma vibração
colorida, se você quiser tentar descobrir as
cores de uma música, ouça-a com bastante
atenção e tente sentir quais cores tem mais
a ver com ela. Comece tentando descobrir
quais das 3 cores primárias tem mais a ver:
vermelho, amarelo ou azul (como estas são
cores primárias, toda música apresenta pelo
menos uma delas, mesmo que misturadas).
Exemplo: se for uma música agitada,
associe-a ao vermelho; se tiver uma levada
jazzy, associe ao amarelo; se for
melancólica, associe ao azul (não que toda
música azul seja melancólica, mas toda
música melancólica tem o azul como cor
primária). Com o tempo, você vai conseguir
identificar com mais facilidade as cores
secundárias da música também, mas é
preciso muita prática e que você goste
muito da música em questão. Fiz uma Tabela
de Cor e Som que se encontra na minha
homepage, acessem www.newagepunk.com/colortronic
para
conferir, aproveitem para ouvir o Colortronic
e comprar o álbum Sonic Rainbow! |
Entrevista
com Denis Kandle, Firma Produções

FIRMA
PRODUÇÕES - Como você começou sua carreira e por
que decidiu ser dj? De onde veio o interesse pela
musica eletrônica?
Kandle
- Eu comecei em 1998 no programa de rádio
EP Vanguarda, quando eu levava ao ar as últimas
novidades do rock e da electrônica. O programa
rolava todas as quartas, à meia-noite, na extinta
Imprensa FM do Rio. Meu interesse pela música
eletrônica começou lá por 1996, quando eu ouvi
techno pela primeira vez no Mercado Mundo Mix, que na
época rolava na Fundição Progresso.
FIRMA
PRODUÇÕES - O que é o Colortonic e como surgiu?
Kandle
- O Colortronic nasceu em maio de 2002
após uma viagem de dois meses pela Califórnia e é
formado por mim, Kandle, e por Ricardo Antonio, que
é o responsável pelo conceito visual da banda.
Nosso trabalho é feito tendo em mente que som é
vibração e que toda vibração tem cor, portanto
música tem cor. Cada música tem sua própria
"aura", são vibrações que irão emanar e
produzir feixes de cores determinadas. Uma música
agitada, por exemplo, apresenta um fundo constante de
vermelho ou laranja, que pode oscilar entre o
chamejante até a cor de sangue escuro. O Colortronic
é o primeiro grupo musical a desenhar a música com
suas cores respectivas. Para a platéia, poder ver e
sentir as cores que correspondem às suas músicas é
uma experiência fascinante. A mente é estimulada
quando as frequências de cores combinam com as
músicas que estão sendo executadas naquele momento,
gerando sensações novas indescritíveis .
FIRMA
PRODUÇÕES - É possível viver dessa profissão no
Rio de Janeiro? Como tem funcionado o mercado?
Kandle
- Olha, vou ser bem sincero, é muito dificil
viver de música eletrônica no Rio, porque não
existem muitos espaços disponíveis, a maioria das
casas noturnas não abre espaço para a música
eletrônica não-comercial. E os que abrem mal pagam
cachê. Enfim, o público de música eletrônica
carioca é um dos mais animados do Brasil, mas a cena
carioca, no caso o seu backstage, é muito precária,
e agora ainda tem o problema do prefeito proibir
raves. É uma pena.
FIRMA
PRODUÇÕES - O que você acha desse glamour todo em
volta de DJs que ficam mais famosos do que os
artistas que ele toca?
Kandle
- Acho que isso é um grande mérito para o DJ, mas o
que não pode acontecer é ele deixar isso subir à
cabeça, se achar mais importante do que a música. A
música vem sempre em primeiro lugar!
FIRMA
PRODUÇÕES - Qual seu conceito de dj? Na sua
opinião quem utiliza cd é dj ou tocador de cd?
Kandle
- Acho que uma pessoa, quando vai para a uma festa,
quer se divertir com boa música, não é mesmo? E
desde que o som esteja com uma qualidade decente,
não vejo nada demais se o DJ usa CD, MD ou vinil. O
que importa mesmo é o resultado, não o meio.
FIRMA
PRODUÇÕES - Qual a melhor balada que você já
tocou e o que você sente qdo está tocando?
Kandle
- O melhor até o momento foi na Tenda Eletro do
Rock in Rio III, em janeiro de 2001, cerca de 4.000
pessoas dançando e gritando alucinadamente, o tempo
inteiro, foi demais! Eu me sinto feliz e útil quando
estou tocando, é bom saber que as músicas que estou
tocando estão trazendo bons momentos para o
público. É muito gratificante.
FIRMA
PRODUÇÕES - A música eletrônica é elitizada?
Kandle
- Hoje em dia não acho que seja, está cada vez mais
se popularizando, mas ainda acho que existe uma certa
resistência da parte de algumas pessoas. Muitos têm
preconceito, dizem que é música feita por máquinas
(o que não é absolutamente verdade, existe um
humano por trás daquela música, ela não foi feita
por macacos! =-) Talvez no início fosse elitizado,
quando começaram a pintar as primeiras festas
eletrônicas, no início da década de 90, quase todo
o público era "do meio", só os antenados,
depois é que foi popularizando. Mas não sei se
elitizado é a palavra certa. Eu diria que era mais
segmentado.
FIRMA
PRODUÇÕES - Qual sua opinião em relação aos
grandes festivais de música eletrônica aqui no
Brasil?
Kandle
- O Rock in Rio foi o primeiro grande
festival brasileiro a incluir a música eletrônica
na sua programação e deu super certo, hoje em dia
qualquer festival tem que ter uma tenda eletrônica,
já virou tradição, né?... Ainda bem!!! =-D Espero
que existam cada vez mais esses festivais no Brasil,
tipo o Skol Beats.
FIRMA
PRODUÇÕES - Quando você está em casa que tipo de
som escuta?
Kandle
- Ouço muito rock, principalmente na linha
alternativa, curto também industrial, pop-rock,
punk-rock, new metal, 80's, etc. Também adoro ouvir
música eletrônica, claro, nos seus mais variados
estilos, como ambient, trance, techno, eletro etc. E
ainda ouço outros tipos de som mais diferentes como
Dead Can Dance (que eu adoro), mantras budistas, até
música clássica. Só não ouço música comercial,
tipo, não curto ouvir rádio porque a maioria
daquelas músicas estão sendo tocadas porque foram
pagas para isso, e ouvir jabá faz mal para a saúde
mental.
FIRMA
PRODUÇÕES - O que você acha da associação entre
música eletrônica e drogas? (polícia fazendo
batida nos clubs de SP, raves proibidas no sul,
"dj" sendo preso por tráfico de drogas...)
Kandle
- Qualquer tipo de festa rola droga, então por
que a polícia não faz batida em ensaios de escola
de samba também? Acho muita hipocrisia essa
perseguição contra as raves. Ao invés de proibir,
acho que deveria haver uma conscientização, a
educação é a melhor arma que o governo e a
polícia poderia usar.
FIRMA
PRODUÇÕES - O que você diria para quem está
começando a profissão de DJ agora?
Kandle
- Que persistam, pesquisem muito,
corram sempre atrás das novidades, se possível
produzam suas próprias músicas, porque além de
ajudá-los a se destacar, é muito mais gostoso tocar
suas próprias músicas do que a de outros!
FIRMA
PRODUÇÕES - Seu top 10 de som.....
Kandle
- Sem ordem de preferência:
1. Chris McCormack - Sea Level (Chris Liebing remix)
2. Technasia - Acid Storm
3. Tiesto - Trance Energy X-mix
4. Cosmic Gate - Exploration of Space
5. Combichrist - Tractor
6. I-Robots - Frau (Boysnoize mix)
7. Filterheadz vs Tomaz - I Love Techno
8. Oliver Lieb - Subraumstimulation (main mix)
9. Umek vs DJ Misjah - K'pr Norcih
10. Terra Ferma - Fire
O COLORTRONIC FOI
ARTISTA ELETRÔNICO EM DESTAQUE
(FEATURED ARTIST) NO SITE AMERICANO UBL.COM
EM DEZEMBRO DE 2006

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O COLORTRONIC FAZ PARTE DA
TRILHA SONORA DO SITE DA
POLARIS BRASIL
COM A MÚSICA ANGELS OF COLORS

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