Tranzine
- Por que Onno? Mike - O nome surgiu por acaso.
Procurávamos um nome curto, e começamos a pensar em sobrenomes para batizar a
banda. Ono é um sobrenome japonês muito sonoro, e daí pra Onno foi um pulo. Se
tem a ver com a Yoko ou não, acho que tanto faz... (risos) Tranzine - O que você
acha do underground carioca? Quais os pontos positivos e os negativos?
Mike - Acho que o principal ponto
negativo é que não existem muito lugares que agreguem boas condições com assessibilidade.
Ou você toca em pulgueiros, ou acaba tendo de bancar uma caução cara para tocar
numa casa média. São poucos os lugares pequenos e charmosos, com boa infra. Por
outro lado, o Rio é talvez o coração da cultura do Brasil ao lado de SP, então
naturalmente rola uma projeção maior se você está no Rio do que em Porto Alegre,
por exemplo. Mas têm surgido coisas bem legais na cidade como o Armazém No.5 e
seu projeto X-Tudo, o novo projeto da Laila Werneck com shows de rock grátis na
Barra... Além, é claro, das boas bandas que lotam a cidade. Tem muita gente boa
ralando e que merece ser ouvida, sem dúvida! Tranzine - E a MTV?
Você acha que ela era melhor antigamente? Melhorou, piorou?... Enfim, sua opinião.
Mike - Ok, ela mudou bastante desde
aqueles tempos em que transmitia só a partir do meio-dia etc, e, para mim, ficou
menos musical e mais entretenimento. A questão é que não sei dizer se isso é ruim
ou não, simplesmente houve uma mudança de conceito... Acho que algumas coisas
são melhores hoje, outras não... Tranzine - Vocês recentemente
fizeram uma turnê pelo Sul. Como foi a turnê? Mike - Foi a melhor coisa que já
aconteceu na Onno. Conquistamos um público novo, ao sair da cena exclusiva do
Rio, e conhecemos pessoas, bandas e lugares muito legais e também importantes
futuramente para os nossos objetivos. Foi uma experiência que deu babagem pra
banda, aprendemos a nos virar e sentimos como o intercâmbio com outras cenas é
produtivo e saudável. Queremos repetir a dose muitas vezes... Tranzine - Qual a
melhor coisa de tocar numa banda de rock?
Mike - Nem sei se o rock
é a questão em si. Acredito que a "arte" é o ponto, não é? A melhor
coisa que tem é você poder mostrar sua arte e receber uma resposta positiva do
público - e, claro, poder se sustentar vivendo assim. Tendo isso, eu estou feliz
e realizado. 
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- O que você acha do Renato Russo? Ele parece ser uma grande influência
para o Onno, estou certo?
Mike - Olha, acredito que a semelhança
venha principalmente da sinceridade. Nossas letras são bastante pessoais e intimistas,
uma característica que era do Renato e da Legião. Então, mesmo não sendo uma influência
direta da Onno, achamos muito bacana que haja essa associação com a Legião Urbana,
que era acima de tudo uma banda sincera. É sinal de que estamos no caminho certo.
Tranzine - O que você
acha de sites de distribuição gratuita de música, como o MP3.com e o Audiogalaxy?
Mike - Para uma banda que está
começando, o MP3 é uma arma não só poderosa mas também vital, pois permite uma
divulgação muito maior do trabalho do artista independente. É claro que a questão
do direito autoral está longe de ser resolvida e nem cabe falar disso agora, mas
eu penso que devo usar isso a favor da banda hoje. Tranzine - A violência
no Rio tá foda. O que pode ser feito pra reverter essa situação? Legalizar as
drogas? Morar em condomínios fechados? Fugir do país??? Enfim, existe luz no fim
do túnel?...
Mike - São tantos os motivos, não
é? Pra mim, a má distribuição da renda responde por boa parte desse caos, mas
é claro que há lugar para as drogas, o baixo índice de educação, a falta de oportunidades
etc. Começar a investir em educação e buscar formas de combater o desemprego (e
melhorar os salários, é claro) seria o começo da tal luz no fim do túnel, se é
que já não virou noite... Tranzine - Em quem
você vai votar pra presidente?
Mike - Confesso que minha maior
vontade é anular, pois não consigo me animar com ninguém, e nem creio que vá mudar
de opinião ao longo da campanha... Letras engajadas possuem um limiar muito tênue
entre o sincero e o demagogo, por isso ainda não me sinto confortável para falar
como artista nesse ponto, talvez nunca me sinta, aliás... |