Denis Kandle
Gosto muito de pessoas que ousam,
mas não gosto daquelas que preferem se vender (geralmente por um preço muito baixo)
pra manter seu pseudo-conforto material. Não consigo ter afinidade por mauricinhos
e patricinhas alienados, não consigo gostar de bandas que dão mais valor à sua
imagem do que à música, não consigo me sentir atraído por mega-produções patrocinadas
por corporações feitas só com o intuito de gerar lucros utilizando-se de clichês
bem manjados. Será que eu estou sendo imoral por ter preconceito por
burgueses pseudo-religiosos? É errado ter náuseas ao ver puristas rotulando e
julgando cada palavra que as pessoas dizem ou atos que cometem, como se fossem
juizes auto-proclamados da vida dos outros? O que devo sentir por pessoas que
preferem destruir o que está fora do seu entendimento ao invés de tentar ao menos
ter tolerância? O preconceito é uma doença, mas não podemos achar
que é possível viver sem preconceito. Todos nós temos preconceito. Eu por exemplo
tenho preconceito por pessoas fanáticas, dogmáticas, alienadas, abitoladas e limitadas
por vontade própria. Eu não consigo ter afinidade com sugadores que se aproveitam
da situação de ignorância das pessoas pra se darem bem em cima disso e continuarem
assim com suas vidinhas protegidas nos seus apartamentos, enquanto pessoas morrem
e se fodem pra manter o padrão de vida delas. Vida confortável não é sinônimo
de negligência. Ser passivo diante da vida é o que realmente
não dá. Nenhum ser humano NUNCA deveria aceitar ser oprimido e sufocado. O ato
mais lamentável e digno de pena que um ser humano poderia cometer é respeitar
os seus opressores. |