- Por
que Hematocele? Anderson
- No começo
queríamos alguma coisa que despertasse a curiosidade das pessoas, alguma
coisa que fizesse rolar um interesse. Achei esse nome no dicionário e ele
me pareceu bem esquisito. Mas é só um nome. Já pensamos em trocar várias
vezes.
- Numa recente enquete
feita pelo Tranzine, onde se perguntava o que as pessoas achavam de bandas brasileiras
que cantam em inglês, mais da metade das pessoas disseram que acham que as
bandas devem cantar em português "para dar mais valor à nossa língua
e cultura". O que você acha disso, já que você canta em inglês?
Você acha que algum dia poderemos chegar ao nível de países como Suécia e
Holanda, onde muitas bandas cantam em inglês? Anderson
- Talvez poderemos chegar
sim, pois existem muitas bandas legais aqui no Brasil que cantam em inglês.
Mas por outro lado parece que hoje existe uma campanha para se cantar em
português. Particularmente gostamos mais de músicas em inglês, mas eu acho
que cada um deve fazer do jeito que achar melhor. O mundo é muito pequeno
para nos prendermos somente à nossa cultura. Se fosse assim, nem rock a gente poderia
gostar, sendo que não é um ritmo originalmente brasileiro. Outra coisa que
acontece: tem bandas que cantam em português e eu não consigo entender uma
palavra!! Pelo menos quando a gente ouve os Beatles na rádio cantando "All
you need is love" todo mundo entende o que eles estão falando!
- Sobre as letras da
banda, abordam que temas em geral e quem as escreve? Anderson
- Até hoje a maioria fui
eu que escrevi, mas todo mundo escreve. O tema é bem variado, mas normalmente
as letras são sobre aqueles conflitos internos que temos durante toda a vida,
ou então opiniões sobre certos assuntos... enfim, são letras bem pessoais
sobre os mais variados temas.
- O que você acha da
venda de CDs piratas? Os benefícios são maiores do que os prejuízos?
Anderson - Acho que
quem perde mais com isso são as grandes gravadoras, e por isso o tema é tão
comentado. As bandas da moda também se dão muito mal com isso. Eu não compro
CD pirata. Outro dia eu fui na galeria e o cara me ofereceu um CDR por R$25,00.
Isso é um absurdo. Uma palhaçada. Além disso a parte gráfica normalmente
é um lixo. Prefiro correr atrás do material até achar o original, e quando
a coisa é muito rara eu normalmente tento pegar em MP3 na internet. | - Você acha que o jabá
é um mal necessário (para o sistema andar) ou existem alternativas realmente
viáveis? Anderson - Eu acho
ridículo, mas se as grandes gravadoras e as grandes rádios optam por trabalhar
assim, fazer o quê, né? Quem perde é sempre o ouvinte que fica condicionado
a gostar de coisas impostas por esse 'esquemão'. Quanto ao Hematocele, nós
tentamos achar outros meios para fazer a nossa divulgação. Temos a nossa
página no HPG mesmo, mandamos emails, lançamos nossas demos e nosso CD de
forma totalmente independente, lançamos nossos EPs em MP3, xavecamos os caras
das rádios e por aí vai.
- Qual foi o melhor
show da banda até o momento? Anderson
- O show de lançamento
do nosso CD no Alternative em São Paulo foi muito legal. Estava cheio de
amigos nossos. Também os que a gente fez no interior de São Paulo, especialmente
em Mococa. O pessoal é muito gente fina e realmente participa do show, cantando
e pulando. - O que você acha de
música eletrônica? Anderson
- Não conheço muitas bandas
novas e não costumo ouvir muito esse tipo de música. Mas sei que existem
bandas bem interessantes. Das mais antigas eu gosto muito de Skinny Puppy
e DEVO. Outro dia também recebi uma demo de uma banda brasileira chamada
KEMAR e é muito bom o sons dos caras. Completamente alucinados.
- O que você acha da
atual onda crescente de violência no Brasil? Quais as soluções que você acha
que poderiam ser adotadas? Anderson - Nossa!...
pra gente que mora aqui na região da grande São Paulo não está dando mais
para aguentar. É muito medo que a gente passa todo dia para ir trabalhar.
Qualquer farol em que você para, você tem que ficar esperto, e esse stress
vai matando a gente aos poucos. Acho que a solução imediata é combater o
crime existindo uma ação mais forte da polícia, mas a longo prazo só educação
é que resolve. - O que você acha sobre
a clonagem humana? Anderson
- Uma besteira. Porque
esse pessoal não investe esse dinheiro com coisas mais importantes, como
alguma cura pra alguma doença? Outra coisa, esse mundo já tem muita gente.
Não precisa de outras formas de se fazer mais pessoas. Além disso sexo é
tão bom! - Vamos para o ano 3000:
ainda existirá rock'n'roll? Anderson
- Se depender de mim, com
certeza! |