- Gil Mahadeva
- Mesmo que os mais céticos
não concordem, é impossível não sentir que a música é uma terapia que está ligada
à espiritualidade, de alguma forma, desde os tempos mais remotos da humanidade.
Tanto música quanto espiritualidade agem por vibrações, onde cada indivíduo vai
captar da forma que melhor convém para si. O som é um dos fenômenos da natureza
mais intimamente ligado às pessoas, assim como a visão, o tato etc. Recebemos o som desde nossos
primeiros instantes de vida. Com o tempo, a percepção sonora tende a se expandir,
embora não seja isto o que ocorre com as pessoas ou, pelo menos, com a maioria
delas. Muitas pessoas, ao contrário, perdem esta sensibilidade do ouvir, do escutar,
com o passar do tempo. Ouvem, mas não escutam. Estamos tão cercados de sons por
todos os lados que ocorre, por exemplo, o tal do "mascaramento do som",
ou seja: ouvimos aquilo tudo o que está à nossa volta, inevitavelmente, mas só
escutamos aquilo o que nos chama atenção e / ou aquilo o que nos convêm. Expandir e aperfeiçoar nossa
percepção audível requer treinamento, atenção e sensibilidade. É difícil encontrar
alguém que não goste de ouvir os sons, seja os da própria natureza, seja aqueles
produzidos pelo homem. Qualquer pessoa sente de onde "vem" um som, seja
uma nota musical, uma explosão, a voz humana ou um simples ruído (conceito de
paisagem sonora) e isso inclui pessoas com deficiência ou dificuldade audível
ou até mesmo na falta total de audição. Essa percepção deve-se a uma característica
fundamental do som, que é sua origem, sua essência: vibrações. E não só de som,
enquanto elemento físico, e de vibrações que vive o som. O som leva à Sinestesia,
que é a capacidade pela qual uma mensagem veiculada num determinado código incorpora
sensações pertencentes a um outro. É isso o que acontece com o som: o som é uma
mensagem que tem cor (visão), tem textura (tato) , tem cheiro (olfato). Através
da vibração, de um timbre, sabemos se a música é áspera, macia, calma, branca,
azul, multicolor e por assim vai... Vibração é o som que você
não "ouve". Ou melhor, é exatamente aquele que você ouve com os ouvidos
e sente na própria pele e no coração! Acontece que não é só o ar que nos cerca
que vibra quando uma onda sonora se propaga. Quase todo e qualquer corpo vibra,
mais ou menos, dependendo da densidade, do seu volume, da sua forma e da característica
da onda que o atinge. Certamente você, que mora em apartamento, não gosta nem
um pouquinho daquela vibração que vem do andar superior (ou do inferior) quando
o vizinho deixa cair um objeto ou alguém sai batendo pregos nas paredes. Essa
vibração é por choque. Paredes e lajes também vibram e são grandes transmissoras
dessas vibrações, que se reproduzem através do prédio. Mas não é só aí que as
coisas vibram. Peças isoladas, como pequenos objetos, copos de vidro, quadros
e outros, vibram intensamente ao receberem ondas de pressão sonora. Se objetos
inanimados vibram, imagine nós seres vivos, com fluxo respiratório, fluxo de água
no corpo, tendo consciência do que estamos ouvindo! Imagine só então interagir
sinais vitais característicos dos seres vivos com estas vibrações cheias de significados! Cada objeto tem sua característica
própria, como o tipo de material de sua composição, sua forma construtiva, densidade
etc. Então, cada um tem sua própria freqüência de vibração. Cada um na sua freqüência! Nosso corpo vibra, nossas
células vibram, somos constituídos por átomos, que por sua natureza estão sempre
vibrando, dançando, circulando, assim como a dança dos elétrons, a dança cósmica
do universo, a dança na roda de fogo de Shiva Nataraja. Tudo flui, tudo muda,
tudo está em constante movimento: ciclo cibernético - nada se repete. Cria-se,
renova-se. Não nos banhamos no mesmo rio duas vezes. Diferentes sons vibram em
diferentes partes do corpo e afetam os nossos vários chacras. O mais básico pode ser trabalhado
com vogais do tipo o som de "Aaa", que vibra mais no peito - o quarto
chacra ou chacra do coração. O som "Ôôô" ressoa profundamente na barriga,
no plexo solar, e "Êêê" na cabeça. Existem diferentes tons e sons para
ressonar com os chacras. Estudantes em fonoaudiologia e do próprio som e suas
características, comprovam esta existência e a ligação entre o som e o estado
psicológico, e até mesmo biológico, em cada ser. Falando genericamente, pode-se
dizer que, quanto mais alto o tom, mais alto é o chacra que ele está vibrando. Por exemplo, sons de percussão
"martelam" o chacra do sexo. Esse é um dos motivos que nos faz pirar
nas festas onde toca o "boom boom putz putz" do techno / trance. Sentimos
como se estivéssemos acordando a nossa energia sexual, é por isso que gostamos
destes ritmos que batem profundamente. Não é por acaso que nosso país é regido
pelo samba! Outro fator interessante
é que, muitas vezes, o número de batidas por minuto (BPM) de um determinado ritmo
nos conecta ao pulsar dos batimentos cardíacos, transportando nossa memória a
uma época em que você se comunicava com o mundo externo somente através das vibrações;
o útero materno. Existem técnicas de meditações
dinâmicas com músicas onde o ritmo usado costuma ser até sete vezes mais rápido
que a freqüência cardíaca num estado de repouso, ou seja, nos faz acelerar pela
inércia que o ritmo da música nos causa. Diferente para flautas e instrumentos
de corda, que acalmam e tocam o chacra do coração, a música clássica indiana provoca
os chacras mais altos, por isso a Cítara é muito usada na Índia. Sons de água também nos
levam a relembrar o útero materno e nos dão uma sensação de conforto e relaxamento,
e até envolve uma sensualidade, pois a água está relacionada a todo o fluir da
vida. Mas os efeitos também dependem do estado do ouvinte. Basicamente, qualquer
som tem a capacidade de liberar uma energia bloqueada. A melhor maneira de permitir
que isso aconteça é aceitar quaisquer sentimentos que estejam conectados com aquele
som. É claro que existem sons, como uma explosão, que simplesmente são demais
e o corpo se fecha para se proteger. Com a música, que transcende
a matéria, algumas partes do corpo liberam tensões e emoções; outras se abrem
e absorvem os sons. Eles são como alimento para a alma. Uma sílaba muito usada
desde a criação do universo é o OM ou AUM. O OM ou AUM, é o som mais sagrado para
os hindus e é a semente de todos os Mantran ou Orações. É, especificamente, uma
forte vibração. Todos os mantram indianos (orações) começam com OM. OM é a chave da conexão
transcendental, é a primeira de todas as vibrações. O ¨3¨ representa a trindade
dos deuses da criação, da preservação e da destruição; é a tríade que aparece
em todas as religiões deste plano material, assim como em nome do "pai, filho
e espírito santo". O "O" é o silêncio de alcançar Deus, o Nirvana.
Hare OM e boas vibrações. |