Denis Kandle
parte III

Alguns meses após ter comprado a minha primeira guitarra, aos 18 anos, comecei a pensar em formar uma banda. Trabalhava com o Fabio Pires (ou Magoo), éramos estafetas em uma companhia aérea. Começamos a trabalhar juntos exatamente na época em que eu comecei a ouvir rock, então foi muito legal porque podíamos conversar sobre bandas e música, coisa que eu não podia fazer com mais ninguém do trabalho porque eles só ouviam pagode e daí pra baixo. Eu disse a ele que havia acabado de comprar uma guitarra e que havia escrito algumas músicas (aliás nunca frequentei conservatório, nem ninguém me ensinou a tocar nada, tudo que aprendi na música foi sozinho), e perguntei se ele não gostaria de montar uma banda comigo. Ele gostou da idéia. Eu também seria o vocalista da banda, só faltava um baterista e um nome.

Eu havia pensado em Pregnant Mary, mas não rolou, achamos óbvio demais. Então eu pensei em substituir o nome, mas qual?... Havia um colega de trabalho nosso muito engraçado cujo apelido era Felix, porque ele lembrava aquele gato Felix, então olhei pra cara dele e disse: Pregnant... Felix! Lembro que quando disse o nome o Fabio teve um surto, "Isso!!!, que nome maneiro!!!" Pronto, agora tava faltando só o baterista. Tinha o Suquinho, que era namorado de uma prima minha e tinha acabado de ganhar uma bateria, estava praticando em casa, e como ele era um cara maneiro o convidei pra formar a banda com a gente. Ele topou na hora. Marcamos um ensaio no apartamento dele, pois ele também tinha um amplificador gigante... Quando cheguei lá babei no equipamento. Ele disse que na verdade tinha sido a mãe dele que comprou tudo, esperando que ele praticasse para tocar na banda da igreja dela, haha... Que ingenuidade... Começamos a ensaiar tocando covers do Ramones, Nirvana, Rage Against the Machine, Titãs etc. Tocamos alto e todos os vizinhos foram "obrigados" a ouvir o nosso ensaio, eles devem ter tampado os ouvidos o tempo inteiro! Claro que houve reclamações dos vizinhos e a mãe dele nos proibiu terminantemente de ensaiar lá. Nessa época eu morava com meus pais numa casa que tinha um terraço. O Suquinho arranjou uma kombi emprestada com um amigo e levamos a bateria pra casa. Na mesma noite ensaiamos lá. Caraca, a casa tremia toda!, e a rua toda ouviu o ensaio. Meus pais desaprovaram a novidade, e reclamaram muito. "É o único lugar que a gente tem pra ensaiar!", eu dizia, mas eles não queriam saber pois estava atrapalhando o som da televisão.

Bem, a gente ficou sabendo de um estúdio de ensaios legal na Ilha e marcamos um ensaio lá. Avisamos ao Suquinho sobre o ensaio, só que no dia ele não apareceu. Ficamos chateados e vimos que ele não iria levar a banda a sério como nós estávamos levando. Resolvemos que seria melhor procurar outro baterista. Por acaso, o Fabio tinha convidado dois amigos pra ver o nosso ensaio naquele dia, o Marcelo e o Duda, que tocavam guitarra e bateria respectivamente. Então entramos todos no estúdio e ficamos levando uma jam session, com o Fabio no baixo, o Marcelo na guitarra, o Duda na bateria e eu no vocal. Tocamos alguns covers e achamos que tinha ficado bem legal. Então tivemos a idéia de os quatro nos juntarmos para formarmos o Pregnant Felix.

Passamos então a ensaiar todo final de semana, numa cozinha (!) quente e apertada numa casa de fundos na casa do Marcelo, na Ilha. A gente deve ter perdido muitos quilos durante os ensaios de tanto suar, porque era uma cozinha muito abafada, parecia uma sauna! Depois de alguns meses compondo várias músicas novas e ensaiando bastante, resolvemos que estávamos prontos para tocar ao vivo. Fiquei sabendo que iria rolar um show em Anchieta com várias bandas, vi num cartaz e fiquei louco. Queria muito poder tocar lá, então procurei pelos organizadores e implorei pra que eles deixassem a gente tocar. Levei uma fita demo de um ensaio e eles gostaram, resolveram então nos incluir, apesar de já terem feito os flyers e os cartazes, mas pra mim estava ótimo. Nós iríamos tocar três músicas, sendo que a última tinha que ser um cover. Resolvemos levar Another Brick in the Wall, do Pink Floyd, em versão punk. Ensaiamos bastante e estávamos animados. Até que finalmente chegou o grande dia.

Era 9 de abril de 1994. Acordei feliz porque seria a primeira chance da minha vida de tocar ao vivo com a minha banda. Eu estava realizando um sonho, muito graças às três bandas que eu mais curtia: Legião, Nirvana e Nine Inch Nails. Aquele era o dia em que eu estreiaria no mundo da música, e eu estava muito excitado.

À tarde tive que ir em Madureira pegar dinheiro no banco, pois o caixa 24 horas mais próximo de casa era lá. Estava caminhando pela rua quando parei numa banca pra dar uma olhada nas capas dos jornais. Foi quando eu vi uma foto do Kurt Cobain na capa do Globo, e li a chamada: Kurt Cobain se Suicida em Seattle. Na hora me deu uma espécie de branco na cabeça, eu não entendi direito. Li e reli de novo. "Como assim ele se suicidou?" Eu não estava conseguindo entender, sério. Abri o jornal e lá estava a notícia, com mais detalhes sobre a morte dele. Eu não podia acreditar naquilo. Mas como era possível??? Acabara de saber que um dos caras que me fez querer montar uma banda de rock se matou, no dia que eu iria estreiar com a minha banda.

Honestamente levei algumas horas pra conseguir digerir a notícia. Só fui caindo na real aos poucos. Eu não cheguei a chorar, mas obviamente fiquei triste pelo que aconteceu. Me encontrei com os outros caras da banda depois e a primeira coisa que eles disseram: "Já tá sabendo?..." Sim, claro que já sabia. Mas apesar do impacto da notícia tínhamos que fazer o nosso show. Fomos para o clube e já tinha centenas de pessoas lá. Eu não me lembro muito bem como ele foi, mas lembro que estava me sentindo bem mas ao mesmo tempo confuso. Toquei com uma camisa do Nirvana que eu havia comprado em São Paulo no mês anterior.

Era obviamente uma fase nova na minha vida, não pela coincidência infeliz, mas porque eu estreiara no mundo da música.

Depois de um tempo a banda passou por mudanças. O baxista havia saído, e com isso decidimos que iríamos nos tornar um trio. Além de cantar eu também iria assumir o baixo. Nessa nova fase nosso nome passou a ser
Blaxl (pronuncia-se "black soul"). Eu gostava da sua sonoridade e achava um nome bonito. Passamos a compôr mais músicas. Gravamos uma demo-ensaio (que foi batizada The World Spins for the Money) e começamos a caçar shows pra banda.

Fomos tentar a sorte e pedir pra tocar no Garage, famosa casa de shows underground na Praça da Bandeira. Eu frequentava o Garage, ia direto, e mal via a hora de pôr meus pés naquele palco, era literalmente um sonho! Ao chegarmos lá havia dezenas de pessoas, era uma reunião da Associação de Bandas do Garage e nós nem sabíamos da sua existência. Mas, já que estávamos lá, resolvemos pedir pra entrar. O Fabio, dono do Garage, reuniu todo mundo e fez uma votação pra saber se poderíamos, pois já havia bandas demais, umas 15. A maioria das pessoas votou a nosso favor, então acabamos sendo aceitos. Então eles marcaram um show pra nós dali a algumas semanas. E nós faríamos de tudo pra divulgar aquele show pro maior número possível de pessoas! Era janeiro de 1995 e iria rolar um show do Rolling Stones no Maracanã. Fizemos milhares de flyers xerocados e fomos pra porta do estádio distribuí-los, e também colamos vários cartazes por pontos estratégicos da cidade.

O show seria com mais outras 3 bandas, e a casa estava cheia para um domingo à tarde. Subimos no palco com as cortinas ainda fechadas. Nos preparamos e então elas se abriram. Foi um momento mágico. Aquele palco era muito especial pra mim. Adorei o show, tivemos uma receptividade muito positiva. Três dias depois, na reunião da associação de bandas, uma bela surpresa. O Fabio reuniu todo mundo, como sempre fazia, e começou a falar sobre um monte de coisas, a maioria relacionada à cena e bandas, e no meio da conversa ele começou a falar entusiasticamente sobre nós. "Domingo passado teve um dos melhores shows que eu já vi aqui no Garage, desde que ele abriu! Esses garotos do Blaxl me surpreenderam, diferentes de tudo que já passou por aqui, fiquem de olho neles" e tal. Cheguei a ficar corado com tantos elogios em público. É claro que eu estava em estado de êxtase ouvindo aquelas palavras. Afinal, quem as estava pronunciando era um cara que já tinha visto centenas de bandas tocarem lá, de todo o Brasil, um cara que sabia o que estava falando, e vindo dele, achei aquelas palavras muito válidas.

Passamos a tocar pelo menos uma vez por mês lá. A gente costumava ensaiar todos os finais de semana, e num deles o Marcelo contou que havia ido numa loja de discos de rock vestindo a camisa da banda, quando foi abordado por um cara ao ver a sua camisa. "Você toca nessa banda?", ele perguntou. "Toco". "Cara, comprei uma fita demo de vocês e me amarrei no seu som!" O nome dele era Bruno, mas todo mundo o chamava de Baiano. Ele acabou se tornando um grande fã e amigo, ao ponto de passar a frequentar os nossos ensaios. Ele também tocava bateria e tinha aprendido a tocar todas as nossas músicas. Em pouco tempo ele acabou entrando pra banda, quando o Marcelo resolveu que queria tocar death-metal... Aquela definitivamente não era a minha praia, e vendo que nós não iríamos tomar aquele rumo, ele decidiu sair e montar sua própria banda. O Duda, que tocava a bateria, passou para a guitarra, pois ele também sabia tocar, e o Baiano se tornou o nosso baterista. Mas essa formação não durou muito tempo, e eventualmente o Duda desistiu de tocar. Eu e o Baiano resolvemos continuar tocando juntos, mas estávamos sem guitarrista. Foi então a minha oportunidade de assumir a guitarra. Procuramos por um baixista, fizemos alguns testes e acabamos ficando com o Fernando Menezes, que tinha uma demo nossa e gostava do nosso som. Pronto - Formação nova, pique novo, nome novo: John and Mary.



E antes de qualquer show decidimos que iríamos gravar a nossa demo, então fomos pro estúdio e gravamos nosso primeiro registro, a demo
Blow!, com 11 músicas. Com ela na mão começamos a fazer vários shows. O de estréia também foi no Garage. Conhecemos muitas pessoas graças a essa demo, que serviu pra divulgar o nosso som no meio underground. Eu também tinha um amigo que fazia apresentações como drag queen e o convidei para fazer performances nos nossos shows. Nós o batizamos como Mary Jane, e sempre que dava, ele estava lá nos shows marcando presença.

Lá pelo fim de 95 comecei a curtir música eletrônica. Ouvi techno pela primeira vez no Mercado Mundo Mix na Fundição Progresso. Ainda não conhecia aquele som, e me apaixonei de primeira! Fiquei curioso e quis conhecer mais. Então comecei a frequentar festas em galpões como a Val-Demente. Era muito bom, eu me entregava à música, achava aquela batida hipnotisante. Comprei o álbum Homework, do Daft Punk, e chapei! Uma vez fui na casa de uma amiga para ouvirmos o álbum juntos. Deitamos no chão, com a cabeça próxima às caixas de som e botamos a música a todo volume. Pra eu te explicar o que eu vi e senti naquela hora fica difícil. Meu corpo estava fisicamente deitado no chão daquele quarto, mas minha mente estava em outro lugar. Havia transcendido os limites das emoções humanas. É uma coisa que não dá pra explicar. Foi um dos momentos mais marcantes na minha vida, o fato de aquela música conseguir me deixar so fucking happy. Quando o disco acabou é como se eu estivesse voltando de uma viagem, de volta à realidade. Aquela foi uma fase muito importante pra mim, pois foi quando a música eletrônica entrou na minha vida, definitivamente pra ficar! Depois conheci outros estilos dentro da eletrônica, e também comecei a curtir muito trance.

Passei a incluir partes eletrônicas na banda. Um ano depois do lançamento da primeira demo, no início de 97, lançamos nossa segunda demo, chamada
Hi, Jack!, com 5 músicas. Passamos a fazer ainda mais shows graças a essa demo.



Em maio de 97 fui demitido da empresa onde trabalhei por 7 anos. Sempre quis morar no exterior, só nunca havia ido por causa do trabalho, mas agora, com a demissão, isso se tornou possível. Então no mês seguinte embarquei para Londres e passei o resto do ano lá. Ia toda quinta-feira na festa Ultimate BASE, residida pelo Carl Cox. Também fui a festivais como o V97, onde vi shows de bandas como Prodigy, Foo Fighters, Chemical Brothers e Daft Punk. Comecei a editar o meu zine eletrônico enquanto morei lá, o Tranzine, que no início só abordava música. O zine ainda está na ativa, mas hoje em dia aborda outros temas além de música. Atualmente está na décima quinta edição e já recebeu mais de 100.000 visitantes até o momento. <
tranzine.democlub.com>

Em 98 voltei pro Brasil e comecei a frequentar o programa de rock alternativo EP Vanguarda, que naquela época rolava numa rádio AM espírita! Era a única coisa alternativa do rádio, a Fluminense tinha acabado há anos e simplesmente nenhuma estação tocava rock. O programa depois passou pra FM, na Rádio Imprensa, e lá ficou por algum tempo (Depois a rádio foi vendida pra Joven Pam e o programa se mudou pra Imprensa de São Paulo, onde ainda é apresentado pelas irmãs Adriana e Andréas Cassas). Sempre ia a maior galera nos programas, era um acontecimento social. O John & Mary fez uma apresentação ao vivo lá, quando ainda era na AM, e fizemos amizade com elas. Um dia elas não puderam ir e eu assumi o programa. Foi delicioso! Na verdade foi a minha primeira atuação como DJ. Quando o programa passou pra Imprensa continuei indo lá quase todas as semanas, e sempre tocava novidades do rock e da electronica.

Nessa época minha banda foi convidada pra abrir o show da banda hare-krishna americana
Shelter, no Imperator (Rio). Era uma casa de shows que ficava no Méier, com capacidade pra mais de mil pessoas. Mas isso ocorreu na época em que descobrimos que havia outra banda nos Estados Unidos chamada John and Mary, então pensamos que seria melhor trocarmos de nome. Por isso aproveitamos o show com o Shelter para nos apresentarmos com nosso novo nome: Nope.

Aquele foi um show muito especial. Conhecemos os caras do Shelter e batemos papo com eles no backstage. Eles estavam no camarim e ouviram o nosso show de lá. No final, eu estava passando por um corredor no backstage com minha guitarra, vestindo minha calça prateada. O empresário do Shelter veio até mim e me perguntou se era eu que tinha acabado de tocar. Eu respondi que sim, então ele olhou bem nos meus olhos, apertou minha mão e disse que tinha achado a banda muito boa. Eu nunca esperava ele vir até mim para dizer aquilo e fiquei lisonjeado... Uma coisa curiosa que aconteceu e eu acho interessante contar é que, no final do show, nós da banda estávamos na garagem, quando os caras do Shelter passaram por nós, e quando eles foram se aproximando de nós as luzes de repente apagaram e ficou um breu total. Isso durou uns 5 segundos, então as luzes voltaram e os caras já tinham passado pela gente. Estranho.

Em junho do mesmo ano surgiu outra oportunidade de ir para a Inglaterra. Então fui - e foi uma época muito boa da minha vida. Dessa vez fiquei como correspondente do EP Vanguarda, e praticamente em todos os programas eu entrava ao vivo, direto de Londres, falando sobre as últimas novidades musicais na Inglaterra. Também entrevistei o Jon Spencer para o Rio Fanzine e fui no Ozzfest com credencial de fotógrafo e com acesso ao backstage. Foi uma experiência muito interessante estar lá e ver pessoas como Max Cavalera, Dave Grohl e Ozzy Osbourne circulando livremente ao meu lado! Tive um encontro com o baixista e o baterista do Soulfly, tirei fotos deles e fizemos uma entrevista, que depois foi transmitida no EP Vanguarda via telefone. Que dia legal foi aquele!

Eu ainda frequentava o EP Vanguarda quando voltei pro Brasil, e sempre que podia estava lá. Teve um programa que tinha um cara, o Gilhermão, divulgando o show da sua banda. No final do programa conversamos e ele disse que estava com uma casa de shows em Botafogo disponível chamada Café das Artes e que iria começar a produzir um evento lá chamado Projeto Bandas. Ele perguntou se minha banda gostaria de tocar lá na semana seguinte, e a gente topou. O show foi com o Autoramas, numa terça-feira à noite. Eu havia feito uma boa divulgação do show e ele ficou satisfeito com o resultado, e me perguntou se eu gostaria de trabalhar na produção do evento com ele. Eu achei a idéia interessante e aceitei. Então comecei a trabalhar como produtor do evento, agendando as bandas e fazendo a divulgação dos shows.

Em poucas semanas, o Café das Artes havia se tornado
o point alternativo do Rio. O Garage havia fechado e o Projeto Bandas tinha se tornado praticamente o único lugar do Rio onde bandas underground tinham espaço para tocar. O Los Hermanos fez um dos seus últimos shows antes de chegarem ao mainstream lá, e foi um dos shows mais cheios do evento. Centenas de outras bandas também tocaram lá, não só bandas cariocas, mas de todo o Brasil (Vulgue Tostoi, Netunos, Mukeka di Rato, Dead Fish, Zumbi do Mato, etc). Ficamos de fevereiro a dezembro de 99 no Café das Artes e na primeira metade de 2000 na First, uma boate que ficava na mesma rua. Com a minha experiência como produtor do evento, conheci muitas bandas underground. Eu devo ser a pessoa que mais já assistiu a shows underground no Rio! Foi muito legal ter trabalhado no Projeto Bandas, pelo fato de termos ajudado a cena underground carioca a evoluir.

Enquanto isso a minha banda fazia vários shows, com um novo baterista, o Fausto. Passamos por lugares como Mercado Mundo Mix e Ballroom aqui no Rio, e também fizemos um show em São Paulo, no Alternative Bar, que foi o nosso melhor show! Mas depois de algum tempo o Fausto saiu da banda, e ficamos um tempão sem baterista, até que achamos o Bruno, que também tocava no Eisah, e passamos a nos chamar The Otherkins. Fizemos alguns shows e lançamos um disco com 12 músicas, mas a banda não foi adiante porque o Bruno era roadie do Marcelo D2 e estava sempre viajando, a gente nunca tinha tempo pra ensaiar nem fazer shows, acabou esfriando e não me empolguei pra continuar com eles. Fora que fiz 30 anos, e a partir de então tudo mudou. Não sei, mas passei a ter outra atitude em relação à banda. Já não sentia mais prazer como antes, era uma coisa adolescente que não me tocava mais como antes. Sempre achei aquelas músicas muito boas mas desde que fiz 30 entrei em outra. Passei então a me dedicar exclusivamente à música eletrônica, era o que eu mais queria mesmo.

Bem, em 1999 comecei a me apresentar como DJ em festas. Produzi a primeira festa de psy-trance do Rio, a Incense, e fui o residente da Mantra, junto com o Alexey. Também toquei algumas vezes como convidado na Electric Head, na Bunker. E no final do ano fui convidado para tocar na Tenda Eletro do Rock in Rio III. Em 14 de janeiro de 2001 toquei para mais de 4.000 pessoas, na mesma hora em que o Carlinhos Brown tocava no Palco Mundo. Naquela mesma noite também tocaram o Oasis e o Gun's'Roses no palco principal. Na Tenda, era uma noite dedicada ao trance, mas toquei um pouco de techno também. Estava um dia quente e de céu limpo. Fui o primeiro DJ a tocar, comecei à tardinha, ainda com alguns raios de sol. Todos estavam anciosos para dançar, e assim que começou a primeira música, em menos de 10 segundos a tenda ficou completamente lotada! Foi demais, as pessoas dançavam e gritavam muito, um delírio só. Já tinha anoitecido quando passei a bola pro Alexey. Eu estava vestindo a minha calça prateada e estava com o cabelo verde, o que fez com que algumas pessoas me parassem e me perguntassem se eu tinha vindo do espaço. =-) Eu estava com a calça prateada pois ela me trazia sorte. Aquela noite da Tenda Eletro foi considerada a mais animada de todo o festival. Pura festa! Pra mim foi maravilhoso, com certeza um dos melhores dias da minha vida.

Pois é, eu havia me tornado num DJ de música eletrônica. Mas eu queria ir além! Também queria passar a produzir minha próprias músicas eletrônicas, então comprei alguns equipamentos e no início de 2002 lancei o
Colortronic. Esse nome define exatamente o que ele quer dizer: cores com música eletrônica! A diferença do Colortronic é que eu dou cores para cada música.

Depois de algumas dezenas de músicas prontas, comecei a fazer live PAs. O primeiro, pra valer, foi na rave Electro Beach, que rolou na praia de Ipanema, no Reveillon de 2003. Também toquei na E-Head (Bunker), no programa de rádio Culturall e na primeira rave que já rolou na Praia da Macumba, a Eco Rave. Em julho fiz a trilha de um desfile no Fashion Rio, para o estilista Ricardo Arita. Em 2005 fiz vários live PAs na fest Taquicardia, e também me tornei o DJ residente da festa Electrolounge, na Bunker.

Em 2006 iniciei um novo projeto eletrônico, o Aliencore, mais voltado para o electro-punk. Costumo dizer que o Colortronic é o meu lado Sol e o Aliencore é o meu lado Lua... Até o momento fiz dois remixes com o Aliencore, um para a música Mindkiss do Johann Heyss e outro para a música COme and Fall do Wry.

A última novidade é que em 20 de fevereiro de 2007 foi lançado no iTunes o álbum Sonic Rainbow, o primeiro do Colortronic. O álbum também está à venda em mais 100 lojas virtuais, e está disponível para compra em 26 países. As músicas são publicadas pela Arty of Doing Publishing, Inc. / BMI.

CONTINUA...

(atualizado em março de 2007)


Leia também!

PARTE I
PARTE II

COMENTÁRIOS?

Página anterior: ENTREVISTA COM WRY
Próxima página:
VOCÊ É UM OTHERKIN?

©2003 tranzine
rio de janeiro