Alguns
meses após ter comprado a minha
primeira guitarra, aos 18 anos,
comecei a pensar em formar uma
banda. Trabalhava com o Fabio
Pires (ou Magoo), éramos
estafetas em uma companhia
aérea. Começamos a trabalhar
juntos exatamente na época em
que eu comecei a ouvir rock,
então foi muito legal porque
podíamos conversar sobre bandas
e música, coisa que eu não
podia fazer com mais ninguém do
trabalho porque eles só ouviam
pagode e daí pra baixo. Eu disse
a ele que havia acabado de
comprar uma guitarra e que havia
escrito algumas músicas (aliás
nunca frequentei conservatório,
nem ninguém me ensinou a tocar
nada, tudo que aprendi na música
foi sozinho), e perguntei se ele
não gostaria de montar uma banda
comigo. Ele gostou da idéia. Eu
também seria o vocalista da
banda, só faltava um baterista e
um nome.
Eu havia pensado em Pregnant
Mary, mas não rolou, achamos
óbvio demais. Então eu pensei
em substituir o nome, mas
qual?... Havia um colega de
trabalho nosso muito engraçado
cujo apelido era Felix, porque
ele lembrava aquele gato Felix,
então olhei pra cara dele e
disse: Pregnant... Felix! Lembro
que quando disse o nome o Fabio
teve um surto, "Isso!!!, que
nome maneiro!!!" Pronto,
agora tava faltando só o
baterista. Tinha o Suquinho, que
era namorado de uma prima minha e
tinha acabado de ganhar uma
bateria, estava praticando em
casa, e como ele era um cara
maneiro o convidei pra formar a
banda com a gente. Ele topou na
hora. Marcamos um ensaio no
apartamento dele, pois ele
também tinha um amplificador
gigante... Quando cheguei lá
babei no equipamento. Ele disse
que na verdade tinha sido a mãe
dele que comprou tudo, esperando
que ele praticasse para tocar na
banda da igreja dela, haha... Que
ingenuidade... Começamos a
ensaiar tocando covers do
Ramones, Nirvana, Rage Against
the Machine, Titãs etc. Tocamos
alto e todos os vizinhos foram
"obrigados" a ouvir o
nosso ensaio, eles devem ter
tampado os ouvidos o tempo
inteiro! Claro que houve
reclamações dos vizinhos e a
mãe dele nos proibiu
terminantemente de ensaiar lá.
Nessa época eu morava com meus
pais numa casa que tinha um
terraço. O Suquinho arranjou uma
kombi emprestada com um amigo e
levamos a bateria pra casa. Na
mesma noite ensaiamos lá.
Caraca, a casa tremia toda!, e a
rua toda ouviu o ensaio. Meus
pais desaprovaram a novidade, e
reclamaram muito. "É o
único lugar que a gente tem pra
ensaiar!", eu dizia, mas
eles não queriam saber pois
estava atrapalhando o som da
televisão.
Bem, a gente ficou sabendo de um
estúdio de ensaios legal na Ilha
e marcamos um ensaio lá.
Avisamos ao Suquinho sobre o
ensaio, só que no dia ele não
apareceu. Ficamos chateados e
vimos que ele não iria levar a
banda a sério como nós
estávamos levando. Resolvemos
que seria melhor procurar outro
baterista. Por acaso, o Fabio
tinha convidado dois amigos pra
ver o nosso ensaio naquele dia, o
Marcelo e o Duda, que tocavam
guitarra e bateria
respectivamente. Então entramos
todos no estúdio e ficamos
levando uma jam session, com o
Fabio no baixo, o Marcelo na
guitarra, o Duda na bateria e eu
no vocal. Tocamos alguns covers e
achamos que tinha ficado bem
legal. Então tivemos a idéia de
os quatro nos juntarmos para
formarmos o Pregnant Felix.
Passamos então a ensaiar todo
final de semana, numa cozinha (!)
quente e apertada numa casa de
fundos na casa do Marcelo, na
Ilha. A gente deve ter perdido
muitos quilos durante os ensaios
de tanto suar, porque era uma
cozinha muito abafada, parecia
uma sauna! Depois de alguns meses
compondo várias músicas novas e
ensaiando bastante, resolvemos
que estávamos prontos para tocar
ao vivo. Fiquei sabendo que iria
rolar um show em Anchieta com
várias bandas, vi num cartaz e
fiquei louco. Queria muito poder
tocar lá, então procurei pelos
organizadores e implorei pra que
eles deixassem a gente tocar.
Levei uma fita demo de um ensaio
e eles gostaram, resolveram
então nos incluir, apesar de já
terem feito os flyers e os
cartazes, mas pra mim estava
ótimo. Nós iríamos tocar três
músicas, sendo que a última
tinha que ser um cover.
Resolvemos levar Another Brick in
the Wall, do Pink Floyd, em
versão punk. Ensaiamos bastante
e estávamos animados. Até que
finalmente chegou o grande dia.
Era 9 de abril de 1994. Acordei
feliz porque seria a primeira
chance da minha vida de tocar ao
vivo com a minha banda. Eu estava
realizando um sonho, muito
graças às três bandas que eu
mais curtia: Legião, Nirvana e
Nine Inch Nails. Aquele era o dia
em que eu estreiaria no mundo da
música, e eu estava muito
excitado.
À tarde tive que ir em Madureira
pegar dinheiro no banco, pois o
caixa 24 horas mais próximo de
casa era lá. Estava caminhando
pela rua quando parei numa banca
pra dar uma olhada nas capas dos
jornais. Foi quando eu vi uma
foto do Kurt Cobain na capa do
Globo, e li a chamada: Kurt
Cobain se Suicida em Seattle. Na
hora me deu uma espécie de
branco na cabeça, eu não
entendi direito. Li e reli de
novo. "Como assim ele se
suicidou?" Eu não estava
conseguindo entender, sério.
Abri o jornal e lá estava a
notícia, com mais detalhes sobre
a morte dele. Eu não podia
acreditar naquilo. Mas como era
possível??? Acabara de saber que
um dos caras que me fez querer
montar uma banda de rock se
matou, no dia que eu iria
estreiar com a minha banda.
Honestamente levei algumas horas
pra conseguir digerir a notícia.
Só fui caindo na real aos
poucos. Eu não cheguei a chorar,
mas obviamente fiquei triste pelo
que aconteceu. Me encontrei com
os outros caras da banda depois e
a primeira coisa que eles
disseram: "Já tá
sabendo?..." Sim, claro que
já sabia. Mas apesar do impacto
da notícia tínhamos que fazer o
nosso show. Fomos para o clube e
já tinha centenas de pessoas
lá. Eu não me lembro muito bem
como ele foi, mas lembro que
estava me sentindo bem mas ao
mesmo tempo confuso. Toquei com
uma camisa do Nirvana que eu
havia comprado em São Paulo no
mês anterior.
Era obviamente uma fase nova na
minha vida, não pela
coincidência infeliz, mas porque
eu estreiara no mundo da música.
Depois de um tempo a banda passou
por mudanças. O baxista havia
saído, e com isso decidimos que
iríamos nos tornar um trio.
Além de cantar eu também iria
assumir o baixo. Nessa nova fase
nosso nome passou a ser Blaxl
(pronuncia-se
"black soul"). Eu
gostava da sua sonoridade e
achava um nome bonito. Passamos a
compôr mais músicas. Gravamos
uma demo-ensaio (que foi batizada
The World Spins for the Money) e
começamos a caçar shows pra
banda.
Fomos tentar a sorte e pedir pra
tocar no Garage, famosa casa de
shows underground na Praça da
Bandeira. Eu frequentava o
Garage, ia direto, e mal via a
hora de pôr meus pés naquele
palco, era literalmente um sonho!
Ao chegarmos lá havia dezenas de
pessoas, era uma reunião da
Associação de Bandas do Garage
e nós nem sabíamos da sua
existência. Mas, já que
estávamos lá, resolvemos pedir
pra entrar. O Fabio, dono do
Garage, reuniu todo mundo e fez
uma votação pra saber se
poderíamos, pois já havia
bandas demais, umas 15. A maioria
das pessoas votou a nosso favor,
então acabamos sendo aceitos.
Então eles marcaram um show pra
nós dali a algumas semanas. E
nós faríamos de tudo pra
divulgar aquele show pro maior
número possível de pessoas! Era
janeiro de 1995 e iria rolar um
show do Rolling Stones no
Maracanã. Fizemos milhares de
flyers xerocados e fomos pra
porta do estádio distribuí-los,
e também colamos vários
cartazes por pontos estratégicos
da cidade.
O show seria com mais outras 3
bandas, e a casa estava cheia
para um domingo à tarde. Subimos
no palco com as cortinas ainda
fechadas. Nos preparamos e então
elas se abriram. Foi um momento
mágico. Aquele palco era muito
especial pra mim. Adorei o show,
tivemos uma receptividade muito
positiva. Três dias depois, na
reunião da associação de
bandas, uma bela surpresa. O
Fabio reuniu todo mundo, como
sempre fazia, e começou a falar
sobre um monte de coisas, a
maioria relacionada à cena e
bandas, e no meio da conversa ele
começou a falar
entusiasticamente sobre nós.
"Domingo passado teve um dos
melhores shows que eu já vi aqui
no Garage, desde que ele abriu!
Esses garotos do Blaxl me
surpreenderam, diferentes de tudo
que já passou por aqui, fiquem
de olho neles" e tal.
Cheguei a ficar corado com tantos
elogios em público. É claro que
eu estava em estado de êxtase
ouvindo aquelas palavras. Afinal,
quem as estava pronunciando era
um cara que já tinha visto
centenas de bandas tocarem lá,
de todo o Brasil, um cara que
sabia o que estava falando, e
vindo dele, achei aquelas
palavras muito válidas.
Passamos a tocar pelo menos uma
vez por mês lá. A gente
costumava ensaiar todos os finais
de semana, e num deles o Marcelo
contou que havia ido numa loja de
discos de rock vestindo a camisa
da banda, quando foi abordado por
um cara ao ver a sua camisa.
"Você toca nessa
banda?", ele perguntou.
"Toco". "Cara,
comprei uma fita demo de vocês e
me amarrei no seu som!" O
nome dele era Bruno, mas todo
mundo o chamava de Baiano. Ele
acabou se tornando um grande fã
e amigo, ao ponto de passar a
frequentar os nossos ensaios. Ele
também tocava bateria e tinha
aprendido a tocar todas as nossas
músicas. Em pouco tempo ele
acabou entrando pra banda, quando
o Marcelo resolveu que queria
tocar death-metal... Aquela
definitivamente não era a minha
praia, e vendo que nós não
iríamos tomar aquele rumo, ele
decidiu sair e montar sua
própria banda. O Duda, que
tocava a bateria, passou para a
guitarra, pois ele também sabia
tocar, e o Baiano se tornou o
nosso baterista. Mas essa
formação não durou muito
tempo, e eventualmente o Duda
desistiu de tocar. Eu e o Baiano
resolvemos continuar tocando
juntos, mas estávamos sem
guitarrista. Foi então a minha
oportunidade de assumir a
guitarra. Procuramos por um
baixista, fizemos alguns testes e
acabamos ficando com o Fernando
Menezes, que tinha uma demo nossa
e gostava do nosso som. Pronto -
Formação nova, pique novo, nome
novo: John and Mary.

E antes de qualquer show
decidimos que iríamos gravar a
nossa demo, então fomos pro
estúdio e gravamos nosso
primeiro registro, a demo Blow!,
com 11 músicas. Com ela na mão
começamos a fazer vários shows.
O de estréia também foi no
Garage. Conhecemos muitas pessoas
graças a essa demo, que serviu
pra divulgar o nosso som no meio
underground. Eu também tinha um
amigo que fazia apresentações
como drag queen e o convidei para
fazer performances nos nossos
shows. Nós o batizamos como Mary
Jane, e sempre que dava, ele
estava lá nos shows marcando
presença.
Lá pelo fim de 95 comecei a
curtir música eletrônica. Ouvi
techno pela primeira vez no
Mercado Mundo Mix na Fundição
Progresso. Ainda não conhecia
aquele som, e me apaixonei de
primeira! Fiquei curioso e quis
conhecer mais. Então comecei a
frequentar festas em galpões
como a Val-Demente. Era muito
bom, eu me entregava à música,
achava aquela batida
hipnotisante. Comprei o álbum
Homework, do Daft Punk, e chapei!
Uma vez fui na casa de uma amiga
para ouvirmos o álbum juntos.
Deitamos no chão, com a cabeça
próxima às caixas de som e
botamos a música a todo volume.
Pra eu te explicar o que eu vi e
senti naquela hora fica difícil.
Meu corpo estava fisicamente
deitado no chão daquele quarto,
mas minha mente estava em outro
lugar. Havia transcendido os
limites das emoções humanas. É
uma coisa que não dá pra
explicar. Foi um dos momentos
mais marcantes na minha vida, o
fato de aquela música conseguir
me deixar so fucking happy.
Quando o disco acabou é como se
eu estivesse voltando de uma
viagem, de volta à realidade.
Aquela foi uma fase muito
importante pra mim, pois foi
quando a música eletrônica
entrou na minha vida,
definitivamente pra ficar! Depois
conheci outros estilos dentro da
eletrônica, e também comecei a
curtir muito trance.
Passei a incluir partes
eletrônicas na banda. Um ano
depois do lançamento da primeira
demo, no início de 97, lançamos
nossa segunda demo, chamada Hi,
Jack!,
com 5 músicas. Passamos a fazer
ainda mais shows graças a essa
demo.

Em maio de 97 fui demitido da
empresa onde trabalhei por 7
anos. Sempre quis morar no
exterior, só nunca havia ido por
causa do trabalho, mas agora, com
a demissão, isso se tornou
possível. Então no mês
seguinte embarquei para Londres e
passei o resto do ano lá. Ia
toda quinta-feira na festa
Ultimate BASE, residida pelo Carl
Cox. Também fui a festivais como
o V97, onde vi shows de bandas
como Prodigy, Foo Fighters,
Chemical Brothers e Daft Punk.
Comecei a editar o meu zine
eletrônico enquanto morei lá, o
Tranzine, que no início só
abordava música. O zine ainda
está na ativa, mas hoje em dia
aborda outros temas além de
música. Atualmente está na
décima quinta edição e já
recebeu mais de 100.000
visitantes até o momento. <tranzine.democlub.com>
Em 98 voltei pro Brasil e comecei
a frequentar o programa de rock
alternativo EP Vanguarda, que
naquela época rolava numa rádio
AM espírita! Era a única coisa
alternativa do rádio, a
Fluminense tinha acabado há anos
e simplesmente nenhuma estação
tocava rock. O programa depois
passou pra FM, na Rádio
Imprensa, e lá ficou por algum
tempo (Depois a rádio foi
vendida pra Joven Pam e o
programa se mudou pra Imprensa de
São Paulo, onde ainda é
apresentado pelas irmãs Adriana
e Andréas Cassas). Sempre ia a
maior galera nos programas, era
um acontecimento social. O John
& Mary fez uma apresentação
ao vivo lá, quando ainda era na
AM, e fizemos amizade com elas.
Um dia elas não puderam ir e eu
assumi o programa. Foi delicioso!
Na verdade foi a minha primeira
atuação como DJ. Quando o
programa passou pra Imprensa
continuei indo lá quase todas as
semanas, e sempre tocava
novidades do rock e da
electronica.
Nessa época minha banda foi
convidada pra abrir o show da
banda hare-krishna americana Shelter,
no Imperator (Rio). Era uma casa
de shows que ficava no Méier,
com capacidade pra mais de mil
pessoas. Mas isso ocorreu na
época em que descobrimos que
havia outra banda nos Estados
Unidos chamada John and Mary,
então pensamos que seria melhor
trocarmos de nome. Por isso
aproveitamos o show com o Shelter
para nos apresentarmos com nosso
novo nome: Nope.
Aquele foi um show muito
especial. Conhecemos os caras do
Shelter e batemos papo com eles
no backstage. Eles estavam no
camarim e ouviram o nosso show de
lá. No final, eu estava passando
por um corredor no backstage com
minha guitarra, vestindo minha
calça prateada. O empresário do
Shelter veio até mim e me
perguntou se era eu que tinha
acabado de tocar. Eu respondi que
sim, então ele olhou bem nos
meus olhos, apertou minha mão e
disse que tinha achado a banda
muito boa. Eu nunca esperava ele
vir até mim para dizer aquilo e
fiquei lisonjeado... Uma coisa
curiosa que aconteceu e eu acho
interessante contar é que, no
final do show, nós da banda
estávamos na garagem, quando os
caras do Shelter passaram por
nós, e quando eles foram se
aproximando de nós as luzes de
repente apagaram e ficou um breu
total. Isso durou uns 5 segundos,
então as luzes voltaram e os
caras já tinham passado pela
gente. Estranho.
Em junho do mesmo ano surgiu
outra oportunidade de ir para a
Inglaterra. Então fui - e foi
uma época muito boa da minha
vida. Dessa vez fiquei como
correspondente do EP Vanguarda, e
praticamente em todos os
programas eu entrava ao vivo,
direto de Londres, falando sobre
as últimas novidades musicais na
Inglaterra. Também entrevistei o
Jon Spencer para o Rio Fanzine e
fui no Ozzfest com credencial de
fotógrafo e com acesso ao
backstage. Foi uma experiência
muito interessante estar lá e
ver pessoas como Max Cavalera,
Dave Grohl e Ozzy Osbourne
circulando livremente ao meu
lado! Tive um encontro com o
baixista e o baterista do
Soulfly, tirei fotos deles e
fizemos uma entrevista, que
depois foi transmitida no EP
Vanguarda via telefone. Que dia
legal foi aquele!
Eu ainda frequentava o EP
Vanguarda quando voltei pro
Brasil, e sempre que podia estava
lá. Teve um programa que tinha
um cara, o Gilhermão, divulgando
o show da sua banda. No final do
programa conversamos e ele disse
que estava com uma casa de shows
em Botafogo disponível chamada
Café das Artes e que iria
começar a produzir um evento lá
chamado Projeto Bandas. Ele
perguntou se minha banda gostaria
de tocar lá na semana seguinte,
e a gente topou. O show foi com o
Autoramas, numa terça-feira à
noite. Eu havia feito uma boa
divulgação do show e ele ficou
satisfeito com o resultado, e me
perguntou se eu gostaria de
trabalhar na produção do evento
com ele. Eu achei a idéia
interessante e aceitei. Então
comecei a trabalhar como produtor
do evento, agendando as bandas e
fazendo a divulgação dos shows.
Em poucas semanas, o Café das
Artes havia se tornado o
point
alternativo do Rio. O Garage
havia fechado e o Projeto Bandas
tinha se tornado praticamente o
único lugar do Rio onde bandas
underground tinham espaço para
tocar. O Los Hermanos fez um dos
seus últimos shows antes de
chegarem ao mainstream lá, e foi
um dos shows mais cheios do
evento. Centenas de outras bandas
também tocaram lá, não só
bandas cariocas, mas de todo o
Brasil (Vulgue Tostoi, Netunos,
Mukeka di Rato, Dead Fish, Zumbi
do Mato, etc). Ficamos de
fevereiro a dezembro de 99 no
Café das Artes e na primeira
metade de 2000 na First, uma
boate que ficava na mesma rua.
Com a minha experiência
como produtor do evento,
conheci muitas bandas
underground. Eu devo ser a pessoa
que mais já assistiu a shows
underground no Rio! Foi muito
legal ter trabalhado no Projeto
Bandas, pelo fato de termos
ajudado a cena underground
carioca a evoluir.
Enquanto isso a minha banda fazia
vários shows, com um novo
baterista, o Fausto. Passamos por
lugares como Mercado Mundo Mix e
Ballroom aqui no Rio, e também
fizemos um show em São Paulo, no
Alternative Bar, que foi o nosso
melhor show! Mas depois de algum
tempo o Fausto saiu da banda, e
ficamos um tempão sem baterista,
até que achamos o Bruno, que
também tocava no Eisah, e
passamos a nos chamar The
Otherkins. Fizemos alguns shows e
lançamos um disco com 12
músicas, mas a banda não foi
adiante porque o Bruno era roadie
do Marcelo D2 e estava sempre
viajando, a gente nunca tinha
tempo pra ensaiar nem fazer
shows, acabou esfriando e não me
empolguei pra continuar com eles.
Fora que fiz 30 anos, e a partir
de então tudo mudou. Não sei,
mas passei a ter outra atitude em
relação à banda. Já não
sentia mais prazer como antes,
era uma coisa adolescente que
não me tocava mais como antes.
Sempre achei aquelas músicas
muito boas mas desde que fiz 30
entrei em outra. Passei então a
me dedicar exclusivamente à
música eletrônica, era o que eu
mais queria mesmo.
Bem,
em 1999 comecei a me apresentar
como DJ em festas. Produzi a
primeira festa de psy-trance do
Rio, a Incense, e fui o residente
da Mantra, junto com o Alexey.
Também toquei algumas vezes como
convidado na Electric Head, na
Bunker. E no final do ano fui
convidado para tocar na Tenda
Eletro do Rock in Rio III. Em 14
de janeiro de 2001 toquei para
mais de 4.000 pessoas, na mesma
hora em que o Carlinhos Brown
tocava no Palco Mundo. Naquela
mesma noite também tocaram o
Oasis e o Gun's'Roses no palco
principal. Na Tenda, era uma
noite dedicada ao trance, mas
toquei um pouco de techno
também. Estava um dia quente e
de céu limpo. Fui o primeiro DJ
a tocar, comecei à tardinha,
ainda com alguns raios de sol.
Todos estavam anciosos para
dançar, e assim que começou a
primeira música, em menos de 10
segundos a tenda ficou
completamente lotada! Foi demais,
as pessoas dançavam e gritavam
muito, um delírio só. Já tinha
anoitecido quando passei a bola
pro Alexey. Eu estava vestindo a
minha calça prateada e estava
com o cabelo verde, o que fez com
que algumas pessoas me parassem e
me perguntassem se eu tinha vindo
do espaço. =-) Eu estava com a
calça prateada pois ela me
trazia sorte. Aquela noite da
Tenda Eletro foi considerada a
mais animada de todo o festival.
Pura festa! Pra mim foi
maravilhoso, com certeza um dos
melhores dias da minha vida.
Pois é, eu havia me tornado num
DJ de música eletrônica. Mas eu
queria ir além! Também queria
passar a produzir minha próprias
músicas eletrônicas, então
comprei alguns equipamentos e no
início de 2002 lancei o Colortronic.
Esse nome define exatamente o que
ele quer dizer: cores com música
eletrônica! A diferença do
Colortronic é que eu dou cores
para cada música.
Depois de algumas dezenas de
músicas prontas, comecei a fazer
live PAs. O primeiro, pra valer,
foi na rave Electro Beach, que
rolou na praia de Ipanema, no
Reveillon de 2003. Também toquei
na E-Head (Bunker), no programa
de rádio Culturall e na primeira
rave que já rolou na Praia da
Macumba, a Eco Rave. Em julho fiz
a trilha de um desfile no Fashion
Rio, para o estilista Ricardo
Arita. Em 2005 fiz vários live
PAs na fest Taquicardia, e
também me tornei o DJ residente
da festa Electrolounge, na
Bunker.
Em 2006 iniciei um novo projeto
eletrônico, o Aliencore, mais
voltado para o electro-punk.
Costumo dizer que o Colortronic
é o meu lado Sol e o Aliencore
é o meu lado Lua... Até o
momento fiz dois remixes com o
Aliencore, um para a música
Mindkiss do Johann Heyss e outro
para a música COme and Fall do
Wry.
A última novidade é que em 20
de fevereiro de 2007 foi lançado
no iTunes o álbum Sonic Rainbow,
o primeiro do Colortronic. O
álbum também está à venda em
mais 100 lojas virtuais, e está
disponível para compra em 26
países. As músicas são
publicadas pela Arty of Doing
Publishing, Inc. / BMI.
CONTINUA...
(atualizado em março de 2007)
Leia também!
PARTE I
PARTE II
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