Tranzine - Por que
Alienaqtor? Harlem - No início, o projeto se chamava
Alienator, e tinha a ver com uma ironia em relação a alienação e ao fato de sentir-se
meio estranho no ninho na cidade onde nasci - Campos. O "q" entrou pela
necessidade de mudar a grafia, já que descobri existirem outros 3 projetos estrangeiros
de mesmo nome e, na verdade, por um erro de digitação no cadastro em um site online,
mas eu gosto de Alienaqtor! Li, analisei e achei que ficava melhor e soava distinto
de qualquer outro. Tranzine -
Quais os estilos que toca? Harlem - A questão dos estilos sempre é
complexa, pois o projeto do começo é bem diferente do atual. Em 1999, era essencialmente
música de pista com toques experimentais, com predominância de elementos electro,
techno e minimal. Com o tempo o projeto foi incorporando mais melodias, mais "climas"
e estudos de frequências e efeitos stereo, estilos como Breakbeat, idm, ambient
entraram no caldeirão entre os anos de 2001 e 2004. Os últimos eps, lançados por
netlabels este ano já caíram totalmente prum lado experimental e tão diverso,
que seria melhor descrito como pequenas trilhas sonoras abstratas para filmes
imaginários, indo de ambient techno e trip-hop à crossovers irrotuláveis.
Tranzine -
Como você vê este novo panorama musical de distribuição de música digital? Na
prática isso facilita ou dificulta a sobrevivência de projetos musicais independentes
no mercado? Harlem - Sem pensar muito eu diria que facilita,
pois elimina obstáculos diversos, especialmente para quem não está inserido na
grande mídia ou fora dos eixos culturais onde este tipo de música predomina. Mas
se for analisar a fundo... Também dificulta, pelo enorme volume de produção que
nem sempre faz com que os melhores trabalhos sejam os mais divulgados, dependendo
muito também dos veículos de divulgação a que se está ligado. Ainda acredito que
só o tempo pode ir "filtrando" o que realmente deve ficar!
Tranzine -
Como se diferenciar dessa massa de pessoas fazendo musica? Harlem - Fazer shows é uma alternativa,
mas não adianta muito se o som for configurado para formato rígido de estúdio;
acho que a solução é trabalhar o som associado a outras mídias, vídeo em especial,
pois pode mostrar mais claramente outros sentidos do trabalho e alcançar mais
outras pessoas que não o fariam pela música somente. Acrescento ainda que música
pode ser uma "ilustração" pra muita coisa: artes plásticas, imagens
estáticas ou em movimento, performances, dança, etc. Tranzine -
Como é a cena musical em Campos? Existem outros projetos eletronicos por aí?
Harlem - A cena local é pequena, ainda não
solidificada, existem djs de house, drum & bass e electro, mas não tem muito
mais variedade. Tem um projeto, curiosamente é uma mistura de estilos, com um
toque trilha sonora, o nome é 82. Tranzine -
Como você vê a cena eletrônica brasileira? Alguns nomes de quem você curte:
Harlem
- Acho a cena infinitamente repleta
de possibilidade e aquém do estágio que poderia alcançar. Cadê a diversidade cultural,
cadê as pesquisas densas e explorações de novos universos? Sinto que muita gente
que busca identidade e vê a música como arte acima de tudo, não consegue espaço,
por limitações de estrutura, de mercado. Por outro lado, muita gente que só segue
fórmulas e copia 100% a produção de determinados artistas estrangeiros, parecem
conseguir mais destaque. Sobre nomes: Saara Saara, Harry, Inhumanoids, Simbolo,
Fellini (pioneiros), cenas como o mangue bit: Chico science e Nação Zumbi, Mundo
Livre S.A., do pessoal anos 90 até agora, acrescentaria: Paula Daunt, Nobody Else,
Enjoy, Retrigger e artistas solo como A Industrya, Ian Martinez, XRS Land, Alex
Numb, Voz Del Fuego, Johann Heyss, Miss Undead, Sintetik, Sonido Sintetico, R-O-B-A-T-O,
etc. Tem mais gente, hehe, difícil vai ser lembrar agora. Tranzine -
Que sons você tem mais ouvido ultimamente? Harlem - Eu sempre fui um compulsivo musical.
Ultimamente tenho ouvindo muitos scores de trilhas sonoras, coisas como John Carpenter,
Goblin, Richard Band, Jerry Goldsmith; estilos recentes como dubstep/ sublow;
e sempre electro, synthpop, idm, acid, breakbeats, música étnica e regional de
várias regiões e países, ambient, dream pop/ shoegazer; percursões, sons emblemáticos
e densos, barulhinhos do dia a dia; psicodelias e surtos audiovisuais. Ah, coloca
aí também o lado extremo da eletrônica: Break-Raggacore, Hardcore Industrial e
Speedcore e, por fim, pós-punk (fase preferida do Rock), vintage electronica e
punk 77. Tranzine -
A favor ou contra a legalização das drogas? Harlem - Totalmente a favor! Não vou entrar
a fundo pois este assunto tem sido por demais explicitado, mas na legalização
está uma das poucas "chaves" para a redução da violência atual.
Tranzine -
Em qual político você não votaria de jeito nenhum? Harlem - Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho...
Tranzine
- Se você fosse levado para uma ilha deserta e só pudesse levar 3 discos, quais
você levaria? Harlem - Depeche Mode - Music For The Masses,
The Future Sound of London - Dead Cities e Siouxsie & The Banshees - Once
Upon A Time The Singles 1977-1980.DISCOGRAFIA: · O Alienador EP (demo CD,
independente, 2001) · Elektruthfuck - UnderstandIt! EP (demo CD, independente,
2002) · "Elektruthfuck - Original Mix" - música na coletânea Look
What I Cooked Vol 1: Meat & Potatoes (CD, Moron Labs, 2003) · "Spread
The Spell (Melodik 'Lektro)" - música na coletânea Look What I Cooked Vol
2: The Dinner Party (CD, Moron Labs, 2004) · "Bedspread of Remnants"
- música 06 no projeto 1 Minute Massacre Volume 3 cd 2 (Soulseek Records, a ser
lançado, 2006) · Tales of Psychotropicdaelia MP3 EP (Shkart, Shkart010, 2006)
- http://www.shkart.com · First Schizophrenic Pupil
Mp3 EP (Digital Enemy Records, DE004, 2006) - http://www.digitalenemy.com.br · "Astral Baby (Extended
Instrumental)" - música na coletânea SDLC v3.2: Move Your Ass Baby (Mp3,
Salon De La Composition, SDLC v3.2, 2006) - http://sdlcnet.info website:www.myspace.com/alienaqtor e-mail: harlempinheiro@yahoo.com.br |